quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Formação acadêmica é essencial para acompanhar as tendências

Novas tecnologias e novos meios não alteram a indispensável paixão pela publicidade
As inovações tecnológicas já não surpreendem mais ninguém e as novas mídias já foram incorporadas ao cotidiano do público. Um consumidor cada vez mais exigente, e altamente seletivo, espera encontrar hoje muito mais que mensagens visualmente atrativas, ele quer conteúdo com o qual possa interagir. E uma campanha interativa não se faz apenas complementando as tradicionais mídias com um banner na internet; é necessário que haja integração e planejamento com objetivo interativo para toda a campanha, desde o início até o final.

Quando em 2005 o Festival de Publicidade de Cannes (Cannes Lions International Advertising Festival) elegeu pela primeira vez a Agência Interativa do Ano, ficou evidente o crescimento e a importância da internet para a publicidade. E de lá prá cá o que estamos assistindo são as verbas dos grandes anunciantes migrando para a web, para os celulares e as tantas outras mídias que promovem essa tão desejada interação.

O grande desafio para o publicitário hoje está em descobrir formas inusitadas de abordar antigos temas em novas ferramentas. Ou seja, refrigerantes, cartões de crédito, sabão em pó devem se espalhar para outras mídias e interagir com seus consumidores.

E para chegar a esta fórmula, não resta dúvida que o ponto de partida é uma formação acadêmica adequada, sustentada por uma base teórica sólida e muita dedicação.

Com o objetivo de saber a opinião de grandes publicitários sobre as tendências da Publicidade e a formação do futuro profissional, a coordenação do Curso de Publicidade e Propaganda entrevistou em dezembro Darren Moran, Diretor Executivo de Criação da Agência Y&R (Young & Rubicam)de Nova Iorque.
Desta vez nosso entrevistado é Rodrigo Rodrigues, da Agência OpusMultipla, de Curitiba. Rodrigo começou sua carreira na OM aos 20 anos, como assistente de estagiário. Em 7 meses foi promovido a estagiário na área de atendimento. Ao longo dos 4 anos seguintes, foi contratado como assistente e promovido a executivo de atendimento. Passou por todas as áreas da agência e se afastou por 4 anos para fazer mestrado e se dedicar à vida docente. Hoje, 15 anos depois, Rodrigo é diretor de planejamento e, também, responsável pela área de operações e novos negócios e também presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, ABAP Capítulo Paraná.

Maria Paula - Para onde a propaganda está caminhando?
Rodrigo Rodrigues - A legislação, o CONAR e o público têm ficado mais atentos aos conteúdos e apelos publicitários. Por isso, a propaganda ruma para divulgação apenas de bons produtos à sociedade e requer, tanto de anunciantes, quanto de agências, responsabilidade na expressão comercial.
Outro ponto a destacar são as novas mídias como web, celulares e palms que exigem mensagens específicas, como os filmes de um segundo criados recentemente para uma empresa multinacional. Hoje, podemos abordar os consumidores por vários meios que, há poucos anos, nem existiam.

MP - Quais são as qualidades necessárias ao profissional de hoje?
RR - Continuam sendo as de sempre. Grande poder de síntese; domínio do idioma escrito e falado; trabalho árduo; pesquisa e estudos constantes; atenção ao comportamento e estilo de vida das pessoas, saber trabalhar verdadeiramente em equipe e, principalmente, amor verdadeiro pela profissão.

MP - Que tipo de formação o publicitário precisa?
RR - Ótima formação acadêmica. A publicidade se fez na prática e com pouca teoria. Sofremos muito hoje em decorrência desse fato. Nossa atividade precisa de mais acadêmicos, mais pesquisas, mais artigos, mais profissionais com bagagem teórica, e mais embasamento para diminuir decisões baseadas apenas no “bom senso”.
Lamento o descaso de alguns estudantes de comunicação para com o idioma. Publicitário que não sabe escrever e falar em público é como engenheiro que não sabe fazer conta. Você moraria num prédio construído por esse engenheiro? Eu não.
Hoje, nossa maior dificuldade é contratar publicitários que dominem o idioma e tenham uma base teórica mínima. A experiência, podemos oferecer na agência, mas construir castelo em areia movediça não dá.