terça-feira, 3 de março de 2009

Blog é uma opção para os profissionais da área de comunicação


Versatilidade é chave para ingressar (e permanecer) no novo cenário do mercado de trabalho.

É impossível hoje não ter consciência da diversidade, da presença de minorias e, conseqüentemente, da existência de múltiplas culturas, da mudança nas relações de trabalho que afeta os jovens em suas expectativas profissionais.
O contexto da pós-modernidade e o fenômeno da globalização perfazem o grande pano de fundo sobre o qual se desenvolvem os modos de pensar e articular a ciência, a cultura e a vida social, compondo um cenário essencialmente informacional, no qual as ciências perderam seu caráter dogmático e passaram a ser vistas como tecnologia intelectual. A globalização e as inovações tecnológicas resultaram, simplesmente, em uma nova maneira de estar no mundo e no estabelecimento de novos valores, mudando a cultura.
A preocupação da coordenação dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Relações Públicas é, ao lado da excelente formação teórica ministrada pelos docentes pertencentes ao quadro da instituição, trazer também profissionais atuantes no mercado de trabalho, principalmente aqueles atuantes nas novas tecnologias, para propiciar ao aluno ingresso no mercado de trabalho com um instrumental suficiente para o seu desenvolvimento profissional.
Assim, entrevistamos Luciana Muniz, profissional de webdesign, blogueira com trabalhos customizados, com recursos em flash, e que viu no blog a oportunidade de compartilhar interesses. Reuniu as artes gráficas, o webdesign e o design de produto e logo encontrou seus leitores.
Maria Paula: Como você começou a trabalhar nesta área?
Luciana Muniz: Nunca imaginei trabalhar com internet. Trabalhava desenhando móveis para projetos de interiores e luminárias. Vinha da faculdade de design e arte e já tinha experimentado outros segmentos do design, como a joalheria. Um dia recebi o convite para montar um blog no Meia Fina, canal feminino do Portal POP da GVT. Não era ligada em blogs. Mas estava super interessada no desenho, especialmente na arte digital, além do meu trabalho, é claro. Pesquisava muito os artistas da ilustração digital, tentando entender aquelas soluções gráficas que chegam a misturar desenho à mão com recursos do Photoshop, Ilustrator ou outro programa de computação gráfica. Assim, cheguei ao blog, e é fato que estes estão crescendo em número e especializações e já são mídia, trabalham com a informação, formam opinião, servem à publicidade, ao entretenimento e podem ser ótimos currículos.

MP: O que o blog representa hoje para os potenciais consumidores?
LM: Um blog não é somente uma página pessoal na web, é também comunicação, informação, publicidade, entretenimento e pode ser tão importante quanto um currículo no momento de uma contratação, principalmente para quem é da comunicação. Esses dias mesmo, eu li uma matéria que dizia que algumas agências de comunicação analisam os blogs dos estagiários, antes de contratá-los, para avaliar como o candidato escreve, como desenvolve uma idéia ou como reage a uma crítica, pelas respostas aos comentários. Incrível, não é? Mas um blog pode mesmo dizer muito a respeito do seu interlocutor, pois representa sempre uma sensibilidade, uma forma de ver o mundo.A audiência dos blogs é boa e significativa para estratégias de marketing de muitas marcas. É bem comum encontrar anúncios publicitários em blogs. Aliás, é possível comprar em blogs, ouvir músicas, conhecer produtos, saber de lançamentos, tendências de moda e tantas outras coisas. É possível se divertir, trocar impressões, desenvolver habilidades, falar sobre literatura, cinema ou política. A esfera dos blogs é um ambiente bem democrático.

MP: Curitiba é um mercado promissor para este tipo de atuação profissional?
LM: Não é fundamental que um blog esteja em um portal da cidade do blogueiro. Curitiba é ainda um pequeno centro, mas tanto o dentroafora quanto vários outros blogs estão dando certo, já se tornaram referência. Eu mesma, depois de alguns meses de blog, tenho tido oportunidades de trabalhar com agências de publicidade, fazer layout de portal, e vários outros trabalhos. O problema que vejo nesta área é que alguns blogs são mal escritos ou inconvenientes, pois não é preciso ser formado em comunicação para publicar matérias na web, e nem todos tem preparo para esta atividade.

MP: Falando sobre formação profissional, o que você considera fundamental que um jovem estudante da área de comunicação aprenda durante seu curso?
LM: Além de aprender as disciplinas do curso, pois todas são planejadas para formar um bom profissional, é importante manter-se atualizado. Para isso existem as pós-graduações, interessantes não só para quem ainda não conseguiu o primeiro emprego e não quer deixar de estudar, mas para o desenvolvimento da carreira. Agora, cultura é fundamental. Ler livros, jornais e revistas, ouvir música, viajar, conversar, ter um número grande de interesses com certeza ajudará a formar um profissional versátil.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Formação acadêmica é essencial para acompanhar as tendências

Novas tecnologias e novos meios não alteram a indispensável paixão pela publicidade
As inovações tecnológicas já não surpreendem mais ninguém e as novas mídias já foram incorporadas ao cotidiano do público. Um consumidor cada vez mais exigente, e altamente seletivo, espera encontrar hoje muito mais que mensagens visualmente atrativas, ele quer conteúdo com o qual possa interagir. E uma campanha interativa não se faz apenas complementando as tradicionais mídias com um banner na internet; é necessário que haja integração e planejamento com objetivo interativo para toda a campanha, desde o início até o final.

Quando em 2005 o Festival de Publicidade de Cannes (Cannes Lions International Advertising Festival) elegeu pela primeira vez a Agência Interativa do Ano, ficou evidente o crescimento e a importância da internet para a publicidade. E de lá prá cá o que estamos assistindo são as verbas dos grandes anunciantes migrando para a web, para os celulares e as tantas outras mídias que promovem essa tão desejada interação.

O grande desafio para o publicitário hoje está em descobrir formas inusitadas de abordar antigos temas em novas ferramentas. Ou seja, refrigerantes, cartões de crédito, sabão em pó devem se espalhar para outras mídias e interagir com seus consumidores.

E para chegar a esta fórmula, não resta dúvida que o ponto de partida é uma formação acadêmica adequada, sustentada por uma base teórica sólida e muita dedicação.

Com o objetivo de saber a opinião de grandes publicitários sobre as tendências da Publicidade e a formação do futuro profissional, a coordenação do Curso de Publicidade e Propaganda entrevistou em dezembro Darren Moran, Diretor Executivo de Criação da Agência Y&R (Young & Rubicam)de Nova Iorque.
Desta vez nosso entrevistado é Rodrigo Rodrigues, da Agência OpusMultipla, de Curitiba. Rodrigo começou sua carreira na OM aos 20 anos, como assistente de estagiário. Em 7 meses foi promovido a estagiário na área de atendimento. Ao longo dos 4 anos seguintes, foi contratado como assistente e promovido a executivo de atendimento. Passou por todas as áreas da agência e se afastou por 4 anos para fazer mestrado e se dedicar à vida docente. Hoje, 15 anos depois, Rodrigo é diretor de planejamento e, também, responsável pela área de operações e novos negócios e também presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, ABAP Capítulo Paraná.

Maria Paula - Para onde a propaganda está caminhando?
Rodrigo Rodrigues - A legislação, o CONAR e o público têm ficado mais atentos aos conteúdos e apelos publicitários. Por isso, a propaganda ruma para divulgação apenas de bons produtos à sociedade e requer, tanto de anunciantes, quanto de agências, responsabilidade na expressão comercial.
Outro ponto a destacar são as novas mídias como web, celulares e palms que exigem mensagens específicas, como os filmes de um segundo criados recentemente para uma empresa multinacional. Hoje, podemos abordar os consumidores por vários meios que, há poucos anos, nem existiam.

MP - Quais são as qualidades necessárias ao profissional de hoje?
RR - Continuam sendo as de sempre. Grande poder de síntese; domínio do idioma escrito e falado; trabalho árduo; pesquisa e estudos constantes; atenção ao comportamento e estilo de vida das pessoas, saber trabalhar verdadeiramente em equipe e, principalmente, amor verdadeiro pela profissão.

MP - Que tipo de formação o publicitário precisa?
RR - Ótima formação acadêmica. A publicidade se fez na prática e com pouca teoria. Sofremos muito hoje em decorrência desse fato. Nossa atividade precisa de mais acadêmicos, mais pesquisas, mais artigos, mais profissionais com bagagem teórica, e mais embasamento para diminuir decisões baseadas apenas no “bom senso”.
Lamento o descaso de alguns estudantes de comunicação para com o idioma. Publicitário que não sabe escrever e falar em público é como engenheiro que não sabe fazer conta. Você moraria num prédio construído por esse engenheiro? Eu não.
Hoje, nossa maior dificuldade é contratar publicitários que dominem o idioma e tenham uma base teórica mínima. A experiência, podemos oferecer na agência, mas construir castelo em areia movediça não dá.